Eu queria que você me ligasse à
noite, naqueles dias que a gente mal se falava durante o dia. Ligasse-me
enquanto eu estava em casa pensando com quem você poderia estar naquele
momento. Ligasse para me mostra que apenas me queria, nem que fosse só para escutar
minha voz.
Naquela noite em especial, eu me
sentia culpada por não termos conversado direito, e na verdade a culpa foi toda
minha mesmo. Por pura e idiota vergonha. Naquela noite eu pensei em te ligar e
fazer alguma pergunta idiota só para escutar sua voz, você me responder e eu
dormir tranquila, por que tudo estaria bem. Ensaiei nossa conversa por horas em
minha mente, e a cada toque do celular uma palpitação dentro do peito fora do
comum me consumia, e logo depois o peso sobre os ombros, logo depois de
conferir e ver que não era você que me ligava.
A vergonha que costumava me
acompanhar ultimamente me impediu de te ligar naquela noite, mais uma noite com
uma dor no peito. Pelo menos eu achava isso. Meu celular tocou mais uma vez, e
eu não fui tão ansiosa como antes, mas por dentro confesso que meu coração pulou
de alegria. Um bom sinal? Talvez sim,
por que a palavra: “desconhecido”, que apareceu na tela do meu celular já me
era familiar demais.
Sorri de canto, e atendi
confirmando a minha suspeita, era você para falar de um assunto muito bobo. Mas
não me importava, qualquer assunto bobo se tornava interessante, qualquer
minuto de conversa se tornavam horas, me satisfaziam... Por que era com você. E
eu te amava, é acho que era isso. Eu te amava e só necessitava de reciprocidade
para me satisfazer.

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